


Este ensaio fotográfico constrói a identidade de um trabalhador dentro da "Cyber Drama Company", um call center fictício que simboliza a lógica das interações no ciberespaço. Aqui, o atendente não é apenas uma peça do sistema, mas também um usuário – navegando entre as camadas superficiais e obscuras da internet, ora escutando, ora buscando suporte. Quem trabalha na internet para de usá-la alguma hora? Aos olhos cansados que avaliam, metrificam e censuram, qual é o seu descanso?

Sou presa perfeita que tudo vê e nada me escapa - funcionário do ano // ok tell #001
fotografia - 2024
75x50cm
A obra explora a fluidez entre esses papéis e a precarização das relações de trabalho, onde a terceirização e as jornadas exaustivas moldam uma realidade muitas vezes invisível. Entre telas luminosas e respostas automatizadas, a individualidade do trabalhador se dissolve, refletindo o desgaste emocional e a fragilidade das relações no ambiente virtual. No Cyber Drama, o trabalhador é uma extensão do próprio sistema, capturado em um ciclo onde o desejo e a exaustão coexistem.

Pausa imperial - um gole para sonhar livre // ok tell #002
fotografia - 2024
75x50cm
Neste ensaio, as imagens despertam um paradoxo visual: entre o luxo projetado e a realidade do trabalho exaustivo, entre a estética de desejo e a saturação do esforço invisibilizado. O brilho das telas e das campanhas publicitárias que vendem prazer e exclusividade colidem com a rotina mecânica e a sobrecarga. A fantasia do consumo, vendida como acesso a um mundo ideal, não contempla aqueles que garantem o funcionamento da engrenagem digital.

Area de Trabalho sem ilusões - Quem me dera // ok tell #003
fotografia - 2024
75x50cm
Além da crítica às condições de trabalho, OK, Tell Me Your Cyber Drama carrega um olhar decolonial sobre a precarização digital. As mesmas estruturas que exportam tendências e promessas de progresso tecnológico também terceirizam o trabalho para países subdesenvolvidos, reforçando dinâmicas de exploração. O operador da Cyber Drama Company não apenas interage com o sistema – ele é moldado por ele, vivendo em um estado híbrido onde a linha entre o que se deseja e o que se suporta é constantemente borrada.

Fiz o papel que precisava, quem cuida de mim? - estou quase coringando // ok tell #004
fotografia - 2024
75x50cm

Sonhei sentado, emprego conquista ou gera obrigação? Meu turno acabou // ok tell #005
fotografia - 2024
75x50cm

Talvez não ser eu seja uma solução // ok tell #006
fotografia - 2024
75x50cm

Blindados em sentir// ok tell #007
fotografia - 2024
75x50cm

Preso no sonho das ferias // ok tell #008
fotografia - 2024
75x50cm
Mais do que um retrato estético, este ensaio expõe as contradições do trabalho digital e da alienação cibernética, questionando quem realmente controla a máquina e quem é por ela consumido.